Como o empreendedor pode avaliar as informações da franqueadora?

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É natural que as redes de franquias solicitem aos aspirantes a franqueados uma série de informações jurídicas e financeiras, com o objetivo de avaliar se o empreendedor tem condições de ingressar na rede. No entanto, é fundamental que o empresário que pretende filiar-se também busque informações sobre a rede, comprovando que a marca e os serviços que a franqueadora disponibiliza preenchem os requisitos que procura.

Avaliação da Circular de Oferta de Franquia

Uma das maneiras é por meio da Circular de Oferta de Franquia (COF). Ela é entregue ao candidato na etapa final do processo de seleção, mas não se firma, nesse estágio, compromisso jurídico nenhum. Trata-se de um dossiê no qual constam os lojistas que foram franqueados nos últimos dois anos, os balanços deste período, dados sobre fornecedores, entre outras características do negócio.

Ali se encontram informações fundamentais sobre o investimento, como taxas a pagar à franqueadora e as circunstâncias em que serão cobradas, prazo de contrato e o território onde o empresário poderá atuar. Entender cada uma dessas cláusulas e saber qual a condição para renovação do contrato é imprescindível para quem quer entrar numa franquia.

Muitos contratos, por exemplo, ditam que o franqueado é proibido de abrir outro negócio na mesma área de atuação da rede. E, não raro, esse impedimento se estende inclusive após o fim do contrato.

Outro dado essencial é o prazo de retorno do capital investido. Não convém que seja maior que o contrato com a franqueadora ou com o ponto alugado para o comércio. Portanto, se o investidor não for grande conhecedor da área jurídica, compensa procurar um advogado especializado em franquias.

Na COF o valor do investimento precisa estar claro. É também por meio dela que o investidor irá quantificar o aporte inicial para a aquisição do direito de uso da marca, implantação e entrada em operação da loja, investimento com instalações, equipamentos e estoque.

Questionamentos

É importante questionar as redes sobre a estimativa do faturamento da unidade. Além disso, vale perguntar sobre as fontes de faturamento da franquia. Procure saber qual é a margem de lucro do produto ou serviço oferecido, se depende da sazonalidade, quais os principais produtos da loja, etc. Entenda não só a receita, mas a origem dela.

Outras documentações

O candidato também deve se informar sobre a regularidade fiscal e tributária da empresa. Uma das formas é indo atrás das certidões negativas federal, estadual e municipal da empresa. Com estas referências comerciais em mãos será possível verificar se há indícios, por exemplo, de pendências financeiras e tributárias na rede.

Cabe ao investidor checar se a empresa possui registros de marca e patente, se tem processos de ex-franqueados e se coloca em seus documentos – especialmente na Circular de Oferta de Franquia e no Contrato de Franquia – tudo o que promete quando na venda da franquia. É indispensável estar seguro quanto à idoneidade da empresa e ao profissionalismo da franqueadora.

Perguntas para outros franqueados

Outra forma de se conseguir informações é falando com outros franqueados. Os nomes e telefones dos novos franqueados – e também dos que se desligaram da rede nos últimos dois anos – constam na COF. Vale a pena procurá-los e sondar se estão satisfeitos ou não, se têm queixas a fazer, etc. É mais interessante que o próprio interessado busque por estas pessoas, pois caso vá atrás dos nomes indicados pelo franqueador, corre o risco de falar apenas com empresários que estão satisfeitos com a franquia.

Procure saber se os franqueados consideram que o treinamento que receberam das redes foi satisfatório, se surgiram taxas inesperadas e se a franquia possui um plano de comunicação e marketing eficaz. Outro dado importante a checar é a presteza do suporte oferecido pela rede.

É interessante investigar como o franqueador se relaciona com seus franqueados. Por exemplo, se mantém com eles uma relação horizontal e se possui um canal para ouvir suas críticas e ideias.

Outra informação importante é se o franqueador tem uma unidade-piloto que reproduz as condições que serão postas ao franqueado. Se ela funciona por um período suficiente para que se comprove sua viabilidade, os riscos do negócio serão minimizados.

Feito isto, o investidor passa para as próximas etapas – como análise e aquisição do ponto comercial – para a implantação da unidade franqueada. A partir daí, as partes assinam o Contrato de Franquia, documento que declara os direitos e deveres do franqueador e do franqueado, oficializando o que está colocado na COF.

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