Vale a pena investir em uma franquia no início do processo de expansão?

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Muitas questões preocupam aqueles interessados em abrir uma franquia. Mesmo em momentos em que a conjuntura econômica do setor parece próspera, uma das principais dúvidas está relacionada especialmente à segurança do negócio. Vale a pena investir em uma rede que está no início do processo de expansão? Para saber se está no caminho certo, são diversas as análises prévias necessárias para tomar qualquer decisão, a começar pela estabilidade do mercado que está sendo alvo de interesse.

Os números positivos do setor de franquias têm estimulado os interessados em investir no segmento nos últimos anos. Segundo levantamento feito pela ABF (Associação Brasileira de Franchising), o franchising no Brasil registrou, no segundo trimestre de 2017, um crescimento de 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Outro dado sobre as franquias, este do Sebrae, também indica uma tendência bastante promissora. De acordo com a entidade, a mortalidade no setor de franquias não chega a 10% nos primeiros 10 anos de existência, contra mais de 80% nos negócios independentes.

Portas abertas

Para o presidente e fundador do Grupo Cherto, Marcelo Cherto, o primeiro ponto positivo em investir em uma rede de franquias no seu início está relacionado à gama de possibilidades geográficas disponíveis para o franqueado.

“Quando um empresário opta por investir em uma franquia em expansão, ele tem mais facilidade para implantar seu negócio exatamente no mercado que é de seu interesse, já que quase todos os territórios estarão livres”, explica o especialista.

Além disso, acrescenta Cherto, “o futuro empreendedor disposto a abrir uma franquia de uma marca em expansão encontrará um franqueador mais flexível e, até mesmo, disposto a fazer negócios que não sejam tão vantajosos para ele. Afinal de contas, ele estará interessado em viabilizar a implantação de suas primeiras franquias”.

Início arriscado

Porém, embora o franqueador possa ter um comportamento mais complacente, ele continua sendo um principiante, e isso implica riscos adicionais. “A franquia é quase um produto em si mesmo. Nesse produto ou serviço, o franqueador ainda é inexperiente, sua equipe ainda não está azeitada e todos têm muito a aprender. Por isso, os primeiros franqueados serão um pouco ‘cobaias'”, alerta Cherto.

Outro ponto negativo tem relação com a falta de garantias. Não há como assegurar que o negócio terá um bom desempenho em todos os tipos de mercado, ou, mais especificamente, no mercado escolhido pelo franqueado.

Franqueador e franqueado em sintonia

Apesar das chances de o negócio dar errado serem grandes, as possibilidades proporcionadas por uma rede de franquias em expansão são ainda maiores. Do contrário, como bem diz Cherto, “nenhuma rede teria chegado à maioridade”.

Ademais, as desvantagens são menos indicadoras de prejuízos e mais sinalizadoras de desafios. Estes podem ser facilmente superados pela disposição do franqueado em colaborar com o franqueador para que ambos possam aprimorar o negócio juntos.

Algumas medidas, no entanto, podem ajudar neste processo de crescimento. “A fim de minimizar os riscos para o franqueado, o franqueador iniciante deve contratar profissionais experientes para compor sua equipe interna, principalmente o gerente de franquia e os consultores de campo”, aconselha Cherto.

Além disso, é indicado que o fundador da marca se cerque de profissionais externos experientes e sérios, que não tenham receio de dizer ao empreendedor verdades que precisam ser ditas. “Isso vale para advogados, contadores, consultores de franquia, arquitetos, desenvolvedores de software e vários outros especialistas”, exemplifica.

Capacitação para crescer

Investir em capacitação própria e da equipe, bem como ter disposição para ouvir e aprender com profissionais que já vivenciaram situações similares são outras atitudes esperadas de um franqueador iniciante. Mas, assim como o franqueador, o franqueado também deve fazer a lição de casa.

O especialista ressalta que antes de investir dinheiro, tempo, esforço e esperanças em um negócio, o investidor precisa fazer um amplo trabalho de investigação. “Procurar saber quem está por trás da empresa franqueadora, que negócios criou, qual é a sua reputação no mercado e quem assessora a empresa franqueadora é extremamente importante”, adverte o especialista.

Consultar um advogado que realmente tenha conhecimento sobre o segmento de franquias e assinar o contrato apenas depois de analisá-lo e aprová-lo são outras precauções que devem ser tomadas pelo futuro empreendedor. E por último, mas não menos importante, o investidor deve usar o bom senso. “Quase sempre que algo parece bom demais para ser verdade, é, de fato, bom demais para ser verdade”, alerta o consultor.

Para conhecer a fundo a empresa e evitar qualquer problema futuro é fundamental estar atento às cláusulas contratuais. Há cinco pontos de atenção antes de assinar o contrato de franquia que merecem ser analisadas com bastante cuidado.

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