Nunca (mesmo!) é tarde para começar

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A pedagoga Eloísa Elena Correia Carneiro, de 68 anos, não sabe cozinhar. A falta de entrosamento com forno e fogão, no entanto, não foi um entrave na hora de escolher a rede de restaurantes L’Entrecôte de Paris para se tornar franqueada. “Sempre gostei de gastronomia e de frequentar restaurantes”, diz ela. “Já conhecia o modelo de prato principal único do L’Entrecôte de viagens que fiz para a França. Achei a ideia perfeita para empreender no setor de alimentação.” Eloísa abriu sua unidade na região dos Jardins, em São Paulo, há quatro anos – após décadas de trabalho no setor de educação e como terapeuta de família.

Eloísa é um exemplo de que o empreendedorismo não tem hora. A decisão de abrir seu próprio negócio depois dos 60 anos foi fruto de uma série de fatores que, cada vez mais, estão presentes na rotina dos brasileiros. São eles a busca para continuar no mercado de trabalho e a vontade de investir e de manter uma atividade que garanta renda mesmo quando a aposentadoria bate à porta. “As pessoas vivem cada vez mais e, quando percebem, não têm planos para esse período. É preciso ser criativo, desenvolver novos campos de pouso”, diz Eloísa. “Hoje, eu sou gestora. Descobri, aliás, que sempre tive aptidão para essa tarefa.”

Incentivo dos filhos

Uma entusiasta de comemorações e mãe de três filhos – hoje adultos –, Eloísa nunca deixou nada passar em branco. Cuidava bem de perto dos preparativos de qualquer festejo. “Além de aniversários, se houvesse qualquer bom motivo para festa, em casa ou no trabalho, eu já fazia a programação e organizava tudo, com meses de antecedência”, lembra Eloísa. Essa verve gerencial é empregada por ela nas operações do restaurante – nas dinâmicas de compras, no relacionamento com os fornecedores na gestão dos atendimentos, por exemplo.

“Hoje, tenho uma equipe consolidada e delego as tarefas mais rotineiras. Fico concentrada na estratégia”, diz. Seus filhos e o marido, que é médico, a apoiam no dia a dia quando é preciso. Foram eles, aliás, que estimularam Eloísa a se tornar franqueada, anos atrás. “Foi uma conversa que surgiu em casa”, conta Eloísa. “Um de meus filhos deu a ideia e todo mundo fez coro. Pensei no assunto durante uns dias e, quando vi, já estava decidida.”

Eloísa não optou pelo modelo de franquias por ter cansado do trabalho anterior. Antes de abrir sua unidade do L’Entrecôte de Paris, ela tocava um consultório de terapia familiar, atividade que sempre gostou de exercer. “No começo, achava que poderia conciliar as duas ocupações”, conta. “O restaurante, porém, exigia toda a minha atenção.” A empreendedora está satisfeita – e pensa no futuro. “Já cogitei abrir outra unidade, mas adiei os planos”, diz. “Não tenho pressa. O modelo, afinal, está pronto. Basta esperar um momento mais oportuno.”

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