No meio de uma crise, onde investir?

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Momentos de desaceleração da economia tornam públicos dilemas que já são comuns a empreendedores experientes – mas ainda uma novidade para quem não teve a experiência de investir no próprio negócio. É melhor ter mais cautela, dado o momento difícil, ou menos cautela, para alavancar o crescimento quando a crise passar? “Em momentos de crise, os investidores precisam ser mais cautelosos. Afinal, um erro na escolha do setor pode abrir caminhos para situações difíceis”, diz José Carlos Semenzato, fundador e presidente da SMZTO.

Cautela, porém, significa deixar de investir?  Não necessariamente. É preciso analisar, porém, com mais atenção onde há boas oportunidades e em quais setores há uma relação melhor entre os riscos e as possibilidades de crescimento. “O investidor deve buscar setores maduros, de preferência aqueles com consumo garantido, seja na área de serviços, seja na área de produtos”, diz Semenzato. “Não se pode deixar de prestar atenção nos setores que, em momentos de crise, crescem muito, a exemplo do setor de educação profissional.” Como exemplos, Semenzato cita cursos profissionalizantes e escolas de idiomas, por exemplo.

Setores promissores

A força de setor de educação profissional está em atender pessoas que buscam melhores – ou novas – oportunidades no mercado. Incluem-se aí aqueles que estão desempregados, às voltas com a necessidade de melhorar seus currículos. Não é pouca gente. A taxa nacional de desemprego ficou em 13,2% no trimestre encerrado em fevereiro deste ano – um novo recorde na série histórica, que começou em 2012, de acordo com o IBGE. Traduzindo a porcentagem: são 13,5 milhões de pessoas desocupadas. O resultado é 1,3 ponto percentual maior do que durante os meses de novembro, dezembro e janeiro anteriores.

“Com os indicadores atuais de desemprego, esses setores abrem caminho para as pessoas voltarem ao mercado de trabalho – desde que, claro, os candidatos possuam diferenciais competitivos na qualificação”, afirma Semenzato. Os dados mais recentes do IBGE sobre o tema, divulgados em março de 2017, apontam que, há três anos, mais de 40 milhões de pessoas tinham interesse em cursos de capacitação. Da população brasileira acima de 15 anos, porém, apenas 3,4 milhões – ou 2,2% – frequentavam esses cursos. O número de quem já o havia feito era de 24,7 milhões de pessoas – ou 15,6% da população considerada. São dados de 2014 – mas, com o cenário atual, podem continuar importantes de considerar.

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