Franquia brasileira no exterior é tendência em expansão

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Não é raro ver brasileiros sonhando em deixar o Brasil para recomeçar a vida em outro país depois de alguma viagem ao exterior, motivados por diferenças culturais, por um estilo de vida ou até mesmo encantados pelas pessoas ou pelo clima de um outro país. Quando é assim e o imigrante conta com uma veia empreendedora, abrir uma franquia brasileira pode ser uma boa ideia, apontam as estatísticas.

No fim de 2011, 91 marcas brasileiras já estavam presentes em 58 países, em todos os continentes, com mais de 700 unidades, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF). E, para driblar a crise, o crescimento das franquias contraria a retração da economia nacional: em 2015, eram já 134 redes brasileiras em 60 nações e, em 2016, 138 em 61 países.

Desse total, 130 possuem unidades e 12 são exportadoras, enviando seus produtos para 80 países em todo o mundo.

O maior destaque brasileiro no exterior são as marcas de moda, beleza e produtos naturais. Alguns exemplos do ramo de calçados e acessórios são as marcas Bibi, Clube Melissa, Mãos da Terra e It Beach; no vestuário, são destaque Liz, Lilica Ripilica, Dzarm e Colcci. Entre os produtos de beleza, O Boticário e a Truss Cosmetics já alcançam sucesso fora do Brasil.

Em outros setores, a CVC Brasil representa o ramo de entretenimento, brinquedos e lazer, enquanto a UATT? Opera no setor de móveis, decoração e presentes. Franquias de lanchonetes e fast food, como o Giraffas e o Rei do Mate, também marcam presença no exterior.

Entre os países mais chamativos estão os Estados Unidos, com 49 marcas brasileiras. Números da ABF indicam que a vontade de operar fora do Brasil é crescente: 73% dos franqueadores consultados afirmaram ter interesse em internacionalizar sua marca, 56,7% têm intenção de ir para os Estados Unidos e 33,3% para a América do Sul e América Central.

Em seguida no ranking estão o Paraguai, com 29 marcas brasileiras instaladas; Portugal, com 26; Bolívia (14); Colômbia (13); Argentina e México (12 cada); Angola e Chile (11 cada); e Uruguai (1).

Entre as franquias que planejam a internacionalização, o Instituto Embelleze, rede de franquias de educação e treinamento na área de beleza, presente em todos os estados brasileiros, é um dos destaques. A rede, que tem uma franquia no Equador, pretende atuar na República Dominicana e Estados Unidos até o final de 2017.

Desafios

Como em qualquer negócio, abrir uma franquia no exterior representa desafios. Para a ABF, planejar as etapas do empreendimento e melhorar o domínio do idioma local são dois dos principais aspectos a serem observados pelos empresários na hora de partir para o exterior.

Também é necessário ter sensibilidade para lidar com as particularidades culturais, com a legislação e com a diferença no ambiente de negócios, pois estratégias que dão certo no Brasil não necessariamente darão certo lá fora.

Uma das tendências observadas nos Estados Unidos, por exemplo, é a hipersegmentação dos negócios. De acordo com André Friedheim, diretor de Relações Internacionais da ABF, na América do Norte existem franquias de aluguel de roupas para grávidas, redes que pintam azulejos e banheiras, trabalham com mudanças, declaração de Imposto de Renda, e até com saladas de frutas.

Segundo o executivo, a ida para o exterior é algo natural para empresas franqueadoras de sucesso. “O DNA de uma empresa franqueadora é de expansão, e partir para mercados externos é a evolução para as marcas bem estruturadas. ”

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