Como a revolução digital pode melhorar o dia a dia do franqueado

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Além de ser realidade em todo o mundo, a revolução digital impacta substancialmente a vida dos franqueados brasileiros. Em 2016, durante o Thanksgiving – feriado americano famoso por grandes promoções –, as vendas online ultrapassaram pela primeira vez as vendas das lojas físicas nos Estados Unidos. Já no Brasil, as vendas online aumentaram 26% no primeiro trimestre de 2017 sobre o mesmo período do ano anterior. Enquanto isso, as lojas físicas experimentaram leve queda. Uma conclusão que emerge é: a presença online é essencial para a sobrevivência do franqueado.

Apesar de parecer fácil, usar o canal online com eficiência e de forma complementar ao canal físico é uma missão difícil e delicada, que exige manutenção constante. Essa percepção faz com que muitas franqueadoras, em vez de facilitarem, dificultem a vida de seus franqueados, muitas vezes criando até conflitos de interesse entre os canais. Para implantar um canal de vendas online com sucesso, a franqueadora deve incentivar e remunerar seus franqueados por essas vendas. Da mesma forma, os franqueados devem incentivar seus colaboradores a venderem online e os remunerarem por isso, tornando essa venda tão atrativa quanto a física.

Essa realidade já é muito bem trabalhada nos Estados Unidos, onde 61% dos varejistas oferecem a opção de compra na loja física e de entrega direto na casa do consumidor. A recomendação, nesse ponto, é que, na hora de escolher uma franquia, o investidor avalie se ela possui uma presença digital e se oferece os incentivos corretos para toda a cadeia. Nos dias de hoje, esse é um fator decisivo na escolha de uma franquia.

Os impactos da revolução digital

Com acesso fácil à informação, é improvável que os consumidores não saibam o preço de um produto ou serviço que o franqueado comercialize no mercado. Por isso, é imprescindível que o cliente tenha acesso a preços e orçamentos online. O consumidor de hoje busca agilidade e transparência. Estive recentemente em uma unidade da rede de lojas Best Buy, nos Estados Unidos. Percebi que o preço de uma câmera da marca Go Pro estava mais alto do que no site da Amazon. Quando contei sobre a diferença para o vendedor, ele pediu para eu mostrar o preço cobrado pela Amazon no meu celular. Em seguida, disse que ajustaria o preço da Go Pro. É um exemplo do acesso que o consumidor tem aos preços e da necessidade de trabalhar com transparência.

A revolução digital permite, ainda, que o franqueado meça, controle e acompanhe sua operação em detalhes, tomando decisões sempre bem informado. De sistemas de gestão de estoque a plataformas de relacionamento com clientes e o franqueador, o franqueado tem acesso a soluções que facilitam a gestão, muitas vezes barateando a operação e aumentando consequentemente suas margens. Muitos franqueados se queixam da falta de um bom sistema ou suporte das franqueadoras, quase sempre com razão. Acredito, porém, que o bom franqueado é aquele que adota as melhores soluções digitais para sua gestão e acaba “ensinando” a franqueadora a gerir.

Essa afirmação se sustenta em dois motivos. Primeiro, o mercado de franquias brasileiro ainda é relativamente recente, portanto, há poucas franqueadoras maduras o suficiente para apresentar todas as soluções digitais e de gestão presentes no mercado. Segundo, as franqueadoras têm de construir sistemas e soluções genéricas e que atendam, ainda que de forma básica, a diversos estilos de franqueados, em diversas regiões geográficas. A revolução digital nas franquias, enfim, é uma realidade que muitos enxergam, poucos veem e apenas alguns vivem a ponto de se beneficiar fortemente dela.

por Bruno Semenzato

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